segunda-feira, 11 de maio de 2015

Ideias (mais ou menos) descabidas - parte I.


«Preparei-me para uma tarde longa e dura, pois nunca era fácil voltar a ler e a sentir tudo mais uma vez. Sabia que estava sozinha – o Luís só voltava à noite para jantar – e isso deixava-me mais tranquila. Não gostava que me visse perturbada com este assunto, porque sabia que para ele era ainda mais complicado lidar com isto tudo. Ainda hoje é o dia em que me pergunto como seria se fosse eu a estar no lugar dele. Na maior parte das vezes não consigo encontrar uma resposta.
Sentei-me na sala, no sofá perto da janela, e iniciei a dolorosa viagem pelas cartas que te escrevi; ou melhor, pelas cartas que escrevi sobre ti – nunca pensei, realmente, que as fosses ler. Comecei a escrevê-las no dia seguinte ao término – oficial – da nossa relação. Comecei a escrevê-las porque precisava de colocar no papel, ou em qualquer outra coisa fora de mim, tudo o que sentia – e eram tantas coisas ao mesmo tempo. Escrevi muitas delas em lágrimas e outras tantas com a serenidade que o passar do tempo acaba, inevitavelmente, por trazer.
Hoje em dia muitas destas cartas, e algumas das coisas que lá estão escritas, perderam o sentido. Continuo a sentir cada palavra com a mesma intensidade como no dia em que as escrevi, mas não me consigo rever na pessoa que as escreveu. Às vezes tenho a sensação de que isso não faz qualquer sentido; nas outras vezes, percebo que sou uma pessoa muito diferente da que era quando as escrevi. Não te amo como amava quando as escrevi, não te quero perto de mim como queria e nem quero trazer-te, de volta, para mim. Isso eu sei; e é tanto perto daquilo que não sei.
Ainda só tinha lido a primeira carta quando dei por mim perdida em mil pensamentos, e recordações, que não eram mais do que a soma de todos os nossos dias. E foram tantos, não foram? Às vezes tenho que o perguntar a mim própria, em voz alta, para ter a certeza de que, ainda, não enlouqueci. Mas a verdade é que foram mesmo muitos dias – para cima de muitos, mesmo. A única dúvida que me resta é se no meio de tudo, que foi tanto, ficaram mais dias felizes ou tristes para recordar. Não o soube dizer, ou sentir, naquela altura; e a verdade é que também ainda não o sei agora.»

Lembram-se do post referente aos 6 meses do DreamCate? Pois é, partilhei convosco a minha vontade de continuar a escrever cada vez mais e, quem sabe, passar do blog ao papel. Vou continuar a partilhar convosco as minhas histórias e as minhas ideias (mais ou menos) descabidas! :)
Dream cate

4 comentários :

  1. Escrever é mesmo uma ótima forma de desabafarmos, de explodirmos, de retirarmos peso às coisas.
    Adorei, claro!

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  2. Sendo algo tão pessoal, tão genuíno, acho que as probabilidades de passar do blogue ao papel, estão a sorrir para ti.
    Beijinhos*

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  3. Descabidas ou não, sao deliciosas de ler. Parabéns
    se quiseres visita o meu blog e deixa a tua opinião
    oengateperfeito.blogspot.pt

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